Vales Fluviais

Caldeirão do Inferno, Santana

Na ilha da Madeira a forte incisão fluvial, consequência do relevo e do regime de precipitação associada à natureza e estrutura das rochas, originou vales extremamente entalhados e profundos. O Caldeirão do Inferno é o melhor exemplo de uma garganta fluvial muito estreita, provavelmente a mais apertada da ilha. As vertentes, quase verticais, resultam de um processo de encaixe fluvial extremo ao longo de um sistema de filões cujos bordos com o encaixe e intensa fracturação interna, construíram uma zona de fraqueza estrutural que foi aproveitada pela ação erosiva da água.

Esta zona natural situa-se na vertente esquerda da Ribeira do Inferno, tendo origem no Pico Ruivo do Paul até a foz, no oceano atlântico e caracteriza-se por fortes declives e escarpas. A parte central deste local corresponde ao maciço montanhoso com vales que tem a forma de V resultado de uma erosão vertical muito acentuada, apresentando um declive mais ou menos suave de exposição Nordeste e nele tem origem várias linhas de água tributárias da Ribeira do Inferno, Ribeira de João Delgado e Ribeira da Pedra. Este vale apresenta um leito muito encaixado no fundo de um impressionante desfiladeiro rasgado quase a pique nas formações basálticas.

Este local apresenta uma beleza pouco frequente caracterizada por um vale estreito e profundo talhado pelo vigor das águas que se manifestam ruidosamente. Sendo um local que a luz do sol pouco visita, a fraca luminosidade dá ao Caldeirão do Inferno uma certa magia e mistério no qual ninguém se deve furtar.